HAMNET: existe esperança após uma grande tragédia ?
Hamnet não é uma cinebiografia convencional de William Shakespeare. Dirigido por Chloé Zhao, com produção de Sam Mendes e inspirado no romance de Maggie O'Farrell, o filme escolhe deslocar o foco do mito para o humano. Antes do dramaturgo imortal, existe o pai. Antes da obra eterna, existe a perda irreparável. A narrativa acompanha a morte de Hamnet, filho do casal, e a partir desse acontecimento constrói uma meditação profunda sobre o luto, sobretudo o luto materno. E é justamente nessa escolha que reside a grandeza da obra: Shakespeare não é o centro. O centro é Agnes, sua esposa. Interpretada por Jessie Buckley, Agnes é a força gravitacional do filme. Sua atuação é de uma contenção dilacerante. Não há explosões melodramáticas; há silêncio, respiração suspensa, um olhar que parece fixar algo que já não está ali. O luto não é narrado, ele é vivido. Como escreveu Simone Weil, “a atenção absoluta é oração”. Buckley constrói uma personagem cuja dor é atenção constante à ausência. Pau...




